Manifestações no Brasil – 2 Cr 7.14

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“E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” [2Cr 7.14]

manifestações

Uma pergunta recorrente em nossos dias tem sido: o cristão deve participar das manifestações públicas?

Os nossos professores de história sempre nos ensinaram que o povo brasileiro teve participação nula nos momentos decisivos da nação, como a abolição da escravatura, a proclamação da independência e a proclamação da república.
Os caras-pintadas no Impeachment do presidente Collor caracterizaram a forte pressão da participação popular, contudo, até hoje, eu vejo clara manipulação midiática para a derrubada do então presidente. Não estou julgando a validade e a necessidade do impeachment, mas a participação espontânea da sociedade.
Parece-nos que as ‘Diretas Já’ foi um exemplo de fato de participação popular e que graças a Deus logrou êxito.

Mas estas três últimas semanas o Brasil tomou as manchetes nacionais e internacionais. O país quase apático politicamente e muito engajado na paixão do futebol, em plena realização da Copa das Confederações, deixa o futebol de lado e parte para as ruas para manifestar insatisfações e pedir mudanças.
Tudo começou com um ato do Movimento do Passe Livre em São Paulo, contra o aumento da tarifa do transporte público. Como houve uma atuação repressora da polícia e este fato foi notoriamente noticiado pelas redes sociais, despertou uma comoção nacional contra estes atos de violência contra os manifestantes.

Estamos em um estado democrático de direito e as pessoas tem o direito de manifestar. Infelizmente esta percepção do direito de expressar publicamente sua opinião é no Brasil, na prática, um direito concedido pela mídia embora nos seja constitucional.
Pastores, teólogos e evangélicos em geral foram recentemente tolhidos em seu direito de expressão pela ditadura da imprensa. E chamados de religiosos fundamentalistas, retrógrados, um povo ‘imbecil’ que atrapalha os avanços da nação brasileira. Como o professor de Direito da UFC, Dr. Glauco Filho, que foi absurdamente desrespeitado e a imprensa bateu sem dó, porque simplesmente usou do direito da liberdade de expressão condenando a inconstitucionalidade do Conselho Nacional de Justiça ao obrigar cartórios a fazer o casamento civil de homossexuais.

Parece que a imprensa brasileira e alguns militantes, estão lendo diferentemente o quinto artigo, inciso IV e VIII de nossa Constituição, e praticam sua própria ‘lei’:

IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedados os evangélicos e a Bíblia;

VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política (exceto os evangélicos)

Mas e a pergunta? Os cristãos devem participar de manifestações públicas?

Constitucionalmente nos é assegurado este direito. É legítima a manifestação pública. O que repudiamos é o vandalismo que promove a violência contra o próximo, a depredação do patrimônio público e privado.

E alguém diz: Mas quem está promovendo a depredação e a violência são os governantes, com todo estes gastos na Copa e recursos insuficientes na saúde, educação e segurança.

Sim, quem sabe o seja, mas se a manifestação é justamente contra este mal, porque alguns manifestantes o promovem?

A manifestação pacífica é legítima. Mahatma Gandhi, por ela, conseguiu a independência da Índia do império britânico. Os direitos civis dos negros nos EUA foram conquistados na luta contra a segregação racial liderada por Martin Luther King, pastor batista, que promoveu esta luta com campanhas de não violência.
Contudo, há uma diferença nas manifestações de Gandhi e Martin Luther King. Eles sabiam exatamente o que queriam e os governantes sabiam com quem sentar à mesa.
As manifestações no Brasil são fruto de insatisfações múltiplas e das mudanças que as redes sociais nos trazem e de toda uma geração que tem dificuldade com representação e liderança. Não há discursos, nem palanque, como nas Diretas Já. Não há liderança, não há representante.
Essas manifestações nos levarão ao quê? A bela chamada ‘vem pra rua vamos mudar o Brasil’ é bonita e soa esperança e poder popular. Mas que mudanças conseguiremos fazer nas ruas?

A percepção dos governantes e do mundo que o Brasil está insatisfeito? Legal, mas isso não será suficiente para mudar o Brasil.
Os protestos são úteis para deixar claro que há uma insatisfação e que não estamos alheios às necessidades de nossa nação.
Mas como lemos na Palavra “Em todo trabalho há proveito, mas ficar só em palavras leva à pobreza.” (Pv 14.23), então podemos ter protesto e manifestações mais produtivas, como a de Lutero, no século XVI, que promoveu mudanças profundas em seu país na educação e na padronização da língua moderna alemã. Sua manifestação foi tão exitosa que deu origem aos protestantes.
William Carey, na Índia, no século XIX, deu origem a mais de 20 igrejas, mais de 120 escolas, traduziu a Bíblia para dezenas de línguas, escreveu gramáticas e dicionários, lutou e acabou com o cruel costume no qual as viúvas eram queimadas, lutou contra o sistema de castas. Sua vida foi um protesto e manifesto tão bem sucedido que hoje é conhecido como o Pai das Missões Modernas.
Os historiadores admitem que John Wesley salvou seu país de passar por uma revolução como a francesa através do avivamento.
Pastor Emiliano Ferreira da Costa, depois de uma visita a Coréia do Sul, o Espírito Santo através de uma mensagem falou muito alto ao seu coração sobre a responsabilidade missionária. Tão logo voltou ao Ceará deu início a Secretaria de Missões, que anos depois, teve Ev. José Alberto Paiva, como secretário, que alavancou a secretaria com seu conhecido coro “Missões está no coração de Deus” e visitava incansavelmente as igrejas, levantando recursos para obra missionária. Hoje a SEMADEC possui missionários em todos os continentes para a Glória de Deus.

Medidas para promoção de mudança exigem muitas vezes toda uma vida, e muitos não querem se dedicar ao custo da mudança, querem a mudança, mas desde que outros o façam.
E se o custo da mudança é apenas participar de uma passeata de quatro horas, estão dentro, mas se exigir mais que passos nas ruas, se exigir um labor pelas mudanças estão fora.

Apoio os passos dos que se manifestam pacificamente nas ruas, desde que estejam dispostos a seguirem seus passos adiante na construção de uma melhor educação, saúde, segurança e cidadania, como o fizeram Lutero, Martin Luther King, William Carey, Wesley, Emiliano, José Alberto e outros.

Apoio os evangélicos nas ruas que tenham coragem não apenas de levantar cartazes contra a corrupção e a PEC 37, mas tenham coragem de levantar cartazes em favor do Estatuto do Nascituro (chamado pela imprensa de bolsa-estupro), em favor da mudança da resolução do CFP (maldosamente chamada cura gay para jogar com a ignorância do povo), levantar cartazes em favor da Família tradicional, contra o aborto, contra o adultério, em favor da pureza sexual, não ao sexo antes do casamento, contra a violência no trânsito, contra a sujeira na rua, contra a evangelicofobia, cartazes chamando ao arrependimento de nossos pecados para que a nação seja sarada, como diz a Palavra:

“E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” [2Cr 7.14]

Não, dificilmente irão levantar estes cartazes! Por quê? Serão naturalmente agredidos pelos demais manifestantes. E aí o profetismo denunciante do pecado da nação, visto nas manifestações, é apenas para os pecados ditados pelo mundo. Tornamo-nos profetas do mundo e não de Deus, pois o profeta de Deus certamente neste contexto viveria o que os profetas do AT, João Batista e os apóstolos experimentaram: sofreram espancamentos, prisões e mortes.

Que fazer?

Proclamar o Evangelho, não apenas com palavras, mas com nossa vida. Viver o Evangelho nos ajudará a tirar os olhos de nós mesmos e ajudar a quem precisa. Colaborando com quem precisa, com o poder público e privado, nós temos condição de contribuir para mudanças.

Como canta João Alexandre na canção “Pra Cima Brasil”:

“Brasil olha pra cima
Existe uma chance
De ser novamente feliz
Brasil há uma esperança!
Volta teus olhos pra Deus,
Justo Juiz!”

Se você não viu, acompanhe a mensagem do Pr, Hilquias Benício na integra:

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