Chuva, leite e mel

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[Aconteceu] chuva, leite e mel-01

Dt 11.11 – Mas a terra que passais a possuir é terra de montes e de vales; da chuva dos céus beberá as águas;

A Canaã material dos cearenses é esse território desafiador, variando entre o cáustico e o fértil, entre a canícula, calor muito forte do sertão em brasa e a frialdade, madrugada gelada da serra, que basta o orvalho pulverizá-la para mudar de tom, de vestes e de humor.

Conhecemos um casal cearense formado por um serrano e uma sertaneja;  a receita apetitosa do doce de leite com rapadura!

Cearense gosta de doce! Deve ser lembrança dos canaviais que cobriam nossas velhas paisagens , lembranças dos engenhos que havia pelos sítios, das rapaduras que desde meninos degustamos.

Terminamos a primeira quinzena de janeiro de 2016, exultantes com os primeiros chuviscos vindos do céu, trazendo-nos algo além da expectativa de melhoria nos níveis dos reservatórios: o sonho de apreciar no sertão, o curral recheado de mimosas vacas prontas para a ordenha e na serra o viçoso canavial ocupando a sobra dos espaços das hortas, pomares e granjas.

“Ao morder um pedaço de rapadura cada cearense se lembra de algum cheiro de mato, um raio de luz entrando pelo telhado, um balido de cabrito, a risada espontânea da criança feliz, coisas assim, e se transporta para o reino maravilhoso da infância, quando tudo deixa marcas indeléveis na nossa memória. Nos sítios ou fazendas, na cidade grande ou no vilarejo, onde a doceira, ou a tia, ou a mãe cozinhava à beira do “fogão a lenha”, cantando louvores que não se ouvem mais, esbraseavam o lume dos carvões com abanadores de palha, e nos davam a raspa da panela para provar.

Sim, doce é quase sinônimo de infância.”

“A rapadura é nosso tempero de bravura. Tem lavrador ou viajante que nos tempos difíceis atravessa o dia inteiro só com um pedaço de rapadura. Dizem que se  chama rapadura porque era antigamente açúcar de viagem, os viajantes levavam aqueles tijolos mascavos, e na hora de servir usavam uma faca para rapar e juntar as lascas – as rapas duras.”

Não é fácil fazer uma boa rapadura. O mestre precisa ser experiente, saber engrossar bem o caldo de cana fervido no tacho encravado sobre a fornalha, precisa conhecer o ponto, quando de tacho em tacho o mel vai sendo apurado, e o momento certo da passagem para as formas de madeira, molhadas na medida perfeita para a pasta endurecer de imediato. No Cariri e na Ibiapaba residem os especialistas !

Já o “queijo de coalho” merece, como a rapadura uma oportuna página exclusiva.

Nm 13.27 – Fomos à terra que nos enviaste; e, verdadeiramente, mana leite e mel, e este é o fruto.
Desta terra de montes, vales e mar, é hora de olharmos para o alto e reconhecermos que só nos  é possível ter o “leite, mel e o fruto”, porque dos céus chega-nos a “chuva”.
Dt 11.14 – Então, darei a chuva da vossa terra a seu tempo, a temporã e a serôdia, para que recolhas o teu cereal, e o teu mosto, e o teu azeite.
Dt 28.12 – O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo e para abençoar toda a obra das tuas mãos; Sl 135.7 – Faz subir as nuvens dos confins da terra, faz os relâmpagos para a chuva, faz sair o vento dos seus reservatórios.
Sl 147.7-9 – Cantai ao SENHOR com ações de graças; entoai louvores, ao som da harpa, ao nosso DEUS, que cobre de nuvens os céus, prepara a chuva para a terra, faz brotar nos montes a erva  e dá o alimento aos animais e aos filhos dos corvos, quando clamam.
Is 30.23 – Então, o Senhor te dará chuva sobre a tua semente, com que semeares a terra, como também pão como produto da terra, o qual será farto e nutritivo; naquele dia, o teu gado pastará em lugares espaçosos.
Dt 32.2  – Goteje a minha doutrina como a chuva, destile o meu dito como o orvalho, como chuvisco sobre a erva e como gotas de água sobre a relva.

Fontes: Bíblia Shedd
O POVO -06/09/15 Vida&Arte-Ana Miranda

Pb. João Batista

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