Plebiscito no Reino Unido e o conselho dos mais velhos

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270616 - Aconteceu-01

Os britânicos foram às urnas na quinta-feira, 23 de junho, e tomaram uma decisão histórica que terá consequências pelas próximas décadas.

Por meio de um Plebiscito, eles decidiram sobre a participação do Reino Unido na União Europeia. O resultado mostrou que a maioria prefere a saída do bloco europeu com 51,9% dos votos.

A decisão dos britânicos, entretanto, traz à lume uma conjuntura que se tornou um verdadeiro paradigma moderno: a divergência de pensamento entre os jovens e as pessoas com mais idade.

Segundo a pesquisa de boca de urna feita pelo instituto YouGov, no grupo de pessoas entre 18 e 24 anos, 64% votaram pela permanência. Já no grupo com mais de 65 anos, apenas 33% disseram ter votado pelo Reino Unido dentro do bloco. Ou seja, a maioria dos jovens seria favorável à permanência, enquanto a maioria dos idosos seria favorável à saída.

O pior é que, para imprensa internacional, que tem alardeado o mundo afirmando que a decisão trará apenas consequências negativas, o simples fato de a escolha vitoriosa ter sido aquela apoiada pelos idosos já seria um sinal de que foi um erro.

Isto é um sintoma claro de que o mundo, especialmente o ocidental, despreza cada vez mais a opinião dos mais velhos.

Aqui no Brasil, quando ocorreram as manifestações históricas que pediam o impeachment da Presidente Dilma, os militantes governistas tentavam desqualificá-las, dentre outros motivos, porque as pesquisas mostravam que tais movimentos eram compostos na sua maioria por pessoas acima de 36 anos. O que deveria conferir maior respaldo estava sendo apontado como fator de descrédito.

Durante as revoluções estudantis ocorridas na França em 1968, os líderes do movimento cunharam uma frase que dizia: “não confiem em ninguém com mais de 30 anos”, demonstrando a desconfiança para com os mais experientes.

Deus sempre expressou o respeito para com os mais velhos. Em Levítico 19:32, Ele diz: “Diante das cãs te levantarás, e honrarás a face do ancião”. Em Provérbios 16:31 está escrito: “Coroa de honra são as cãs, a qual se obtém no caminho da justiça”. O próprio Deus é referido como “ancião de dias” em Daniel 7:9.

Um episódio categórico sobre o tema ocorreu por volta do ano 930 a.C, quando o rei Roboão, filho de Salomão, não levou em consideração o conselho dos anciãos para diminuir a carga tributária e seguiu a recomendação dos jovens para oprimir ainda mais o povo. Isto gerou uma revolta que ensejou a divisão do reino de Israel, conforme relato do livro de 1 Rs 12.1-15.

As novas gerações estão trazendo avanços tecnológicos fenomenais e diversas garantias de direitos. Contudo, também estamos testemunhando um acentuado declínio moral, a coisificação do homem, a continuidade dos conflitos armados, a degradação da família e relativização da vida. O aborto mata mais do que as guerras, e os jovens se entregam ao prazer destruidor das drogas e da promiscuidade sexual. Ao tempo em que as redes sociais se expandem, as relações se esfriam e o suicídio aumenta. Diversos países caminham para extinção por não terem nem a taxa de nascimentos mínima.

É fundamental que valorizemos o conselho daqueles que têm mais experiência e conhecem os meandros da vida, pois os muros construídos no meio dos relacionamentos entre as gerações, sem dúvida, desagradam a Deus e estão pavimentando um mal caminho para humanidade.

André Falcão

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